Reovírus aviário em lotes com condenações por artrite no sul do Brasil

A artrite e a tenossinovite representam um dos maiores entraves econômicos para a avicultura industrial brasileira, figurando entre as principais causas de condenação de carcaças em abatedouros. Para enfrentar esse cenário e promover o manejo assertivo, a união entre o rigor da patologia diagnóstica e a precisão da biologia molecular é fundamental. Um estudo recente publicado na revista científica Avian Pathology (1), que contou com a participação técnica da Simbios Biotecnologia, fornece dados importantes para a compreensão da dinâmica do Reovírus Aviário (ARV) em lotes industriais no Sul do Brasil.

Na publicação, a detecção molecular por RT-qPCR demonstrou ser ferramenta de alta sensibilidade e essencial para a vigilância sanitária. De acordo com o artigo, 50% dos lotes analisados (15 de 30) testaram positivo para o ARV, mostrando que existe ampla disseminação do vírus em frangos de corte. Os resultados negativos, por outro lado, podem refletir ausência de infecção, infecção prévia com cessação da replicação viral (limitando a detecção por RT-qPCR) ou ainda a presença do vírus em tecidos distintos do tendão gastrocnêmio. 

O foco técnico recai sobre o tendão gastrocnêmio, que se mostrou um sítio de eleição para a identificação viral, mesmo em aves que já apresentavam lesões macroscópicas em linha de abate. A detecção em metade dos lotes avaliados, provenientes de matrizes não vacinadas, reforça a ampla circulação do vírus no campo. As análises revelaram lesões clássicas como edema e hemorragia na pele e musculatura, além de espessamento e exsudato seroso nos tendões.

Um ponto de reflexão técnica importante é que a detecção viral nem sempre correlaciona-se diretamente com um aumento imediato na taxa de condenação do lote. Isso pode ocorrer devido à latência viral, infecções crônicas, onde a replicação diminuiu no momento da coleta, ou pela presença de imunidade parcial que mascara os danos produtivos mais graves, embora o vírus continue presente e circulante.


Caracterização genética e a Linhagem VI

Um grande diferencial no monitoramento é o uso do sequenciamento genético do gene σC (Sigma C) para análise filogenética na vigilância epidemiológica molecular. Essa abordagem permite classificar as cepas em linhagens (clusters) específicas, indo além da simples detecção. O achado central deste estudo foi a identificação da Linhagem VI (Cluster VI), resultando em um alerta crítico, já que as vacinas comerciais utilizadas no Brasil são baseadas em, cepas do Cluster I. A discrepância genética entre as variantes de campo e as cepas vacinais sugere potencial "escape vacinal", no qual as soluções comerciais de imunização podem não oferecer proteção cruzada eficiente.


A vigilância epidemiológica molecular proativa

Os resultados evidenciam que o diagnóstico molecular deve transcender a abordagem reativa de identificação da causa após a perda, consolidando-se como eixo central da vigilância epidemiológica molecular proativa. Nesse contexto, a Simbios Biotecnologia atua como parceira estratégica na detecção de agentes e variantes não evidenciados pela patologia convencional. A atualização dos protocolos de monitoramento e a revisão das composições vacinais, alinhadas às linhagens circulantes (como a cluster VI), são medidas críticas para sustentar a sanidade e garantir a competitividade da avicultura.


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