Leucose Aviária: uma visão dos subgrupos e a importância do diagnóstico molecular

A Leucose Aviária permanece relevante na sanidade avícola, associada a perdas produtivas e à necessidade de monitoramento contínuo. No campo, a forma linfoide é atualmente a mais relevante, enquanto a mieloide representou maior importância em aves de corte nos idos da década de 1990. O Vírus da Leucose/Sarcoma Aviária (ALSV), como espécie-tipo do gênero Alpharetrovirus, pertence à família Retroviridae

ALSV designa o conjunto de retrovírus responsáveis pelo espectro leucose/sarcoma. São vírus de RNA com estrutura semelhante e um antígeno de grupo comum, distribuídos em subgrupos (A a E e J) que apresentam diferenças epidemiológicas e patológicas. Testes baseados na Reação em Cadeia da Polimerase (PCR e qPCR), que cubram os subgrupos A-B e J (Leucose/Sarcoma Vírus) representam a linha de frente contra esta ameaça.


A diversidade dos subgrupos virais


A classificação de ALSV em subgrupos (A a K) baseia-se na especificidade antigênica da proteína de envelope (glicoproteína viral), que dita qual receptor celular o vírus utilizará para infectar o hospedeiro (tropismo). Os subgrupos A, B, C, D, J e K são considerados exógenos; o subgrupo E é considerado endógeno. Os subgrupos A e B são reconhecidos como vírus patogênicos comuns, enquanto os subgrupos C e D foram relatados apenas raramente. O subgrupo K é o mais recentemente proposto, via de regra demonstrando baixa capacidade replicativa e patogenicidade relativamente limitada, quando comparado a outros exógenos.  


Subgrupos A e B: são historicamente os mais comuns em galinhas, especialmente em linhagens de postura. Estão associados principalmente à forma clássica da doença, a Leucose Linfoide, caracterizada pelo desenvolvimento de tumores originados na Bolsa de Fabricius, com potencial de disseminação para órgãos como fígado e baço. A infecção congênita (vertical) por esses subgrupos pode estabelecer um estado de viremia crônica acompanhado de tolerância imunológica nas aves, que passam a atuar como importantes disseminadoras do vírus (perfil viremia positiva e ausência de anticorpos, V+A-), favorecendo a manutenção e a transmissão do agente dentro da granja.


Subgrupo E (Vírus Endógeno): são provírus que se integraram ao genoma da galinha ao longo da evolução (conhecidos como ev loci). Embora raramente causem tumores por si só, sua importância reside em sua capacidade de recombinação genética com vírus exógenos, que pode gerar novos subgrupos com patogenicidade alterada, como ocorreu na emergência do ALV-J.


Subgrupo J: isolado no final da década de 1980, tem origem recombinante, que resultou em catástrofe para as linhagens pesadas (aves de corte). Seu tropismo distinto o faz causar primariamente Mielocitomatose (Leucose Mieloide) e outras neoplasias mieloides, em contraste com a Leucose Linfoide dos subgrupos A e B. A erradicação do vírus J em matrizes de corte foi um marco na sanidade avícola, totalmente dependente de programas de teste rigorosos.


O papel da PCR na estratégia de erradicação


A principal via de disseminação que deve ser combatida é a transmissão vertical (da galinha reprodutora para o ovo/pinto), que promove a persistência do vírus na população. O diagnóstico molecular por PCR é importante para:


Detecção precoce: permite identificar a presença do material genético viral (DNA ou RNA) em amostras de sangue, mecônio, albúmen, peças de necropsia ou tecidos muito antes que os sinais clínicos da doença apareçam.


Identificação de disseminadoras: a vigilância por PCR em plantéis de matrizes e bisavós é uma forma prática de identificar galinhas virêmicas e imunologicamente tolerantes (viremia e sem anticorpos, ou V+A-) que estão transmitindo o vírus via ovo.


Diferenciação de subgrupos: a especificidade da PCR permite diferenciar os subgrupos (A/B de J), estabelecendo a patologia associada (Leucose Linfoide ou Mielocitomatose), otimizando a tomada de decisão.


O controle de ALSV depende de uma estratégia de "tolerância zero" baseada em PCR, visto que não há vacinas disponíveis. Ao utilizar o exame, você não apenas diagnostica a doença, mas atua proativamente para quebrar os ciclos de transmissão, protegendo o status sanitário do plantel e garantindo a saúde e a produtividade da avicultura.

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Referências:

Payne, L. N., & Nair, V. J. A. P. (2012). The long view: 40 years of avian leukosis research. Avian Pathology, 41(1), 11-19

Mo, G., Wei, P., Hu, B., Nie, Q., & Zhang, X. (2022). Advances on genetic and genomic studies of ALV resistance. Journal of animal science and biotechnology, 13(1), 123


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